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terça-feira, 4 de novembro de 2014

6ª postagem: Técnicas de extração e purificação de DNA

Nas últimas postagens falamos um pouco sobre casos famosos que tiveram relação com as práticas forenses, tanto no Brasil como no restante do mundo. Falamos também sobre o trabalho de um médico legista, os campos de atuação e o que se deve fazer para se tornar um.

Hoje falaremos sobre mais uma técnica para extração de DNA, e que ajuda bastante no trabalho da medicina forense.
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As técnicas de otimização da extração de DNA para a utilização na reação da polimerização em cadeia (PCR) têm permitido a investigação de diferentes amostras biológicas mesmo quando o DNA está presente em pequenas quantidades. Vários campos da ciência são beneficiados com esse aperfeiçoamento, como a medicina forense, as investigações criminais, exclusão de paternidade, a busca de marcadores tumorais ou agentes infecciosos, e o transplante de medula identificando a pega do enxerto. Pontas de cigarro, saliva, esfregaço bucal, soro, bulbos capilares, entre outros, podem fornecer informações importantes desde que analisados de forma adequada.

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O método abordado na postagem de hoje é o uso do esfregaço bucal. Boa Leitura!

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Um dos métodos de extração de DNA mais utilizados pela medicina forense é a extração de DNA de leucócitos periféricos. Também é útil para extração de DNA de recém-nascidos, crianças e de pacientes que vivem em locais onde a coleta e o envio da amostra de sangue não é factível. A coleta das células ocorre a partir de um swab oral. Esse método é um dos vários não invasivos que existem para obtenção de material genético.

Swab Oral: Material utilizado para extração de DNA de
leucócitos periféricos na técnica abordada


Swab sendo utilizado em uma tonsila palatina
(aglomerado de tecido linfoide na cavidade oral)
Após o colhimento das células, passa-se para o processo de extração e purificação de DNA. As células vegetais são mais difíceis de serem lisadas por causa da existência de uma parede celular envolvendo a célula. Na célula animal, é mais fácil utilizando apenas detergente. 

A diferença na estrutura do envoltório celular em células animais e vegetais é fator de diferenciação de métodos de lise celular. O detergente é utilizado nas células animais porque as interações moleculares entre essa molécula e as moléculas dos fosfolipídeos de membrana da bicamada lipídica permite a "destruição" da membrana plasmática e a posterior  obtenção do material genético.
A estrutura molecular do detergente, com porção hidrofílica e
porção hidrofóbica permite eficiência na lise de célula animal
Após a obtenção do lisado contendo proteína, ácidos nucleicos (DNA/RNA) e lipídios, existe a necessidade de separar os ácidos nucleicos das outras moléculas. Está descrito na literatura variado número de diferentes métodos de recuperação e purificação de ácidos nucleicos. A técnica com fenol-clorofórmio é a metodologia mais comumente utilizada. Essa metodologia apresenta-se, com frequência, como método de purificação de alta eficiência para extração de DNA proveniente de materiais emblocados em parafina. O princípio dessa separação é a diferença de solubilidade de ácidos nucleicos, proteínas e lipídios nesses solventes orgânicos, de forma que, após a realização dessa separação, se obtém uma fase aquosa, em que se encontra o ácido nucleico. O fenol-clorofórmio utilizado após o rompimento da membrana celular auxilia na desnaturação das proteínas, que são removidas pelas subsequentes centrifugações e lavagens.

Extrair e purificar material genômico humano é um processo meticuloso e trabalhoso, com os resultados nem sempre satisfatórios, principalmente, quando se trabalha com amostras antigas, com mais de cinco anos. Após isso, os fragmentos de DNA obtidos são amplificados através da técnica de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR), para posterior análise.

Mais informações sobre Reação em Cadeia da Polimerase em: 
http://bioquimicaforense.blogspot.com.br/2014/10/eduardo-campos-morte-que-pegou-de.html


Fontes:
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-27302005000600019&lang=pt
http://www.labome.com.br/method/DNA-Extraction-and-Purification.html
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0037-86822009000600008&script=sci_arttext
http://seer.ucg.br/index.php/estudos/article/viewFile/565/450
http://revistas.pucgoias.edu.br/index.php/estudos/article/viewFile/565/450
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-84842004000400001&lang=pt

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Olá caros leitores. Até o presente momento, 4 postagens foram feitas mostrando-se alguns casos brasileiros e internacionais os quais a medicina legal teve vital importância no acompanhamento e solução dos problemas. Muitas pessoas imaginam que a imagem atrelada a um médico legista é a de algo totalmente fora da vida rotineira, ficando reservado apenas aos grandes casos e grandes séries e filmes do tema no mundo do entretenimento.
Todavia, um médico legista possui um campo de trabalho muito mais amplo. Essas e outras informações você verá na postagem a seguir. Boa Leitura!


MÉDICO LEGISTA:
A medicina legista é um ramo profissional da medicina que é responsável, principalmente, por examinar e fazer laudos de pessoas que morreram por algum crime. Através das mais variadas pistas, o profissional tenta conciliar os contextos, informações e teorias na construção de laudos que possam auxiliar a polícia a desvendar os casos.
É necessário ser graduado em medicina, fazer especialização na área. O exercício da profissão depende de concursos públicos. O salário inicial é de R$ 2.250,00 a R$ 2.500,00, mas após isso o salário pode chegar a valores bem maiores.
Atuação do Médico Legista

Pra ser Médico Legista não há escapatória: Tem que
fazer concurso público

OS CAMPOS DE ATUAÇÃO DE UM MÉDICO LEGISTA

  • Antropologia forense - estudo da identidade e identificação, como a datiloscopia, papiloscopia, irologia, exame de DNA, etc.
  • Traumatologia forense - estudo das lesões e suas causas.
  • Asfixiologia forense - analisa as formas de asfixias, sejam acidentais ou criminosas, homicídios e autocídio (suicídio).
  • Sexologia forense - trata da Erotologia, Himenologia e Obstetrícia forense, analisando a sexualidade em sob três aspectos: normalidade, patológico e criminológico.
  • Tanatologia - estudo da morte e do morto.
  • Toxicologia - estudo das substâncias cáusticas, venenosas e tóxicas, seus efeitos.
  • Psicologia e Psiquiatria forenses - estudo da vontade e das doenças mentais. Pode-se assim a vontade, as capacidades civil e penal.
  • Polícia científica - atua na investigação criminal.
  • Criminologia - estudo da gênese e desenvolvimento do crime.
  • Vitimologia - estudo da participação da vítima nos crimes.
  • Infortunística - estudo das circunstâncias que afetam o trabalho, como seus acidentes, doenças profissionais, etc.

Então,  observe que, apesar de o médico legista ainda estar relacionado com o trabalho intrínseco nas questões criminais, seu campo de atuação é bem mais amplo. Então, poque será que essa imagem ainda persiste tanto? Será que vale a pena seguir essa carreira em detrimento das outras especialidades médicas? 

Apesar de ser uma área que, sem dúvida, chama bastante a atenção de interessados ou não interessado, é válido afirmar que a medicina legal tem estado em uma situação um pouco defasada em alguns locais do Brasil, como pode-se observar na manchete a seguir.


A reportagem completa você encontra nas referências no final da postagem

Essa situação é restrita ou mais comum pelo Brasil? É uma especialidade valorizada? Porque ela deve receber tanta valorização quanto às outras?

Fontes: 
http://www.colegioweb.com.br/carreira/medico-legista.html
http://www.brasilprofissoes.com.br/profissoes/academicas/saude/medico-legista#.VFF5_yLF9dw
http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2014/02/medicos-legistas-protestam-por-melhores-salarios-no-es.html
http://not1.xpg.uol.com.br/medico-legista-profissao-de-arrepiar-como-funciona-informacoes/
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-se-tornar-um-medico-legista

terça-feira, 21 de outubro de 2014

IMPRESSÕES DIGITAIS: A RESPOSTA ESTÁ NOS DEDOS

ATENTADO DE OKLAHOMA
Cidade de Oklahoma nos Estados Unidos
O personagem de hoje será o autor de um dos maiores ataques terroristas nos Estados Unidos: o Atentado de Oklahoma, que fica atrás somente dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001.

Um caminhão-bomba de mais de duas toneladas estava estacionado à frente do Prédio Federal Alfred P. Murrah, na manhã do dia 19 de abril de 1995. Aproximadamente às 9h00 da manhã, uma bomba de 2300 quilogramas que estava dentro do caminhão explodiu, deixando uma cratera de 9 metros de largura e 2,5 metros de profundidade no local, além de destruir parte da construção. Com o ocorrido, houve 168 mortes, incluindo 19 crianças.
A bomba era composta de nitrato amônico misturado com combustível, e nitrometano, um combustível altamente volátil; a esta mistura é conhecida como ANFO (por suas siglas em inglês: amonium nitrate, fuel oil). A sociedade norte-americana ficou em estado de choque durante muito tempo, e ainda guarda marcas desse ocorrido.

Prédio Federal Alfred P. Murrah antes do atentado
Prédio Federal Alfred P. Murrah depois do atentado

O RESPONSÁVEL

Timothy James McVeigh foi o responsável pelo episódio do Atentado de Oklahoma. Foi um ex-soldado estadunidense e viveu até o dia 11 de junho de 2001, quando lhe foi à pena capital.
Timothy James McVeigh

70 minutos após a explosão, McVeigh foi abordado por um guarda por estar dirigindo um carro sem placa e foi preso por não possuir porte de arma. Dois dias depois desse delito, McVeigh foi reconhecido e acusado de ser o suspeito do atentado. Depois de alguns anos conturbados, o julgamento final finalmente ocorreu e Timothy James McVeigh foi condenado à pena de morte. Sua última refeição foi um litro de sorvete de menta com gotas de chocolate. Timothy McVeigh recebeu uma injeção intravenosa no braço direito, na qual foram injetados três substâncias químicas: uma para o desmaio, outra para o bloqueio da respiração e a terceiro para a parada cardíaca. Tal processo levou 14 minutos para ser completado. O seu corpo foi cremado e as cinzas espalhadas num local desconhecido.

Esquema mostrando o sentido das ondas de explosão que devastaram o prédio

O QUE AJUDOU NAS INVESTIGAÇÕES

Em meio a muitos depoimentos, acusações e discussões, duas evidências físicas ajudaram a justiça dos Estados Unidos a resolver de vez o crime: Uma impressão digital em um recipiente encontrado em sua casa contendo Nitrato de Amônia (a mesma substância utilizada na confecção da bomba) e outra impressão digital na caminhonete que explodiu próximo ao prédio, ambas de McVeigh.

As impressões digitais são usadas para identificação, mas possuem como função principal tornar a superfície dos dedos propícia, com atrito suficiente,  para que possamos pegar objetos com as mãos sem que esses escorreguem. O código genético contido no DNA fornece informações gerais sobre a maneira em que a pele deve ser criada no feto em desenvolvimento. A posição exata do feto no útero em um determinado momento e a densidade e a composição do líquido amniótico ao redor dele determinam como os sulcos em cada indivíduo irão se formar. Isso já é o bastante para afirmar que é praticamente impossível dois seres humanos possuírem as mesmas digitais.

As impressões digitais são aspectos importantes em casos como o do Atentado de Oklahoma. Atualmente é até banal a ideia, uma vez que as menores crianças percebem as saliências em seus dedos, e logo depois percebem que são sinais únicos e que nenhuma outra pessoa possui igual. Entretanto, na época em que foram vistas como reais fatores de diferenciação entre seres humanos, isso sem dúvida revolucionou a ciência forense.


Os profissionais em datiloscopia são chamados de papiloscopistas, os quais têm a responsabilidade de realizar os trabalhos de pesquisa nos arquivos datiloscópicos e comparar com as impressões digitais em questão. É uma tarefa que exige muita calma e paciência, experiência e, sobre tudo, que o desenho da impressão digital seja o melhor possível. Existem diversas técnicas para coleta de fragmentos papilares no local do crime.

As maneiras de detecção de impressões digitais são importantíssimas para o desenvolvimento das técnicas forenses e trazem suportes mais firmes para aquilo às quais são destinadas.


Fontes:
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/impressao-digital-assinatura-crime-434121.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Timothy_McVeigh
http://discoverybrasil.uol.com.br/horazero/series2/atentado_oklahoma/index.shtml?cc=US
http://revistaescola.abril.com.br/ciencias/fundamentos/duvida-genetica-467296.shtml
http://blitzdigital.com.br/index.php/tec-menu/687-meio-de-prova-impressoes-digitais
http://discoverybrasil.uol.com.br/experiencia/contenidos/impressoes_digitais/
http://www.quimica.net/emiliano/artigos/2006dez_forense1.pdf
http://tecnologia.hsw.uol.com.br/leitores-de-impressoes-digitais1.htm

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

EDUARDO CAMPOS: A MORTE QUE PEGOU DE SURPRESA

Eduardo Campos: Candidato à presidência morto em acidente aéreo
O ACIDENTE

Marina Silva: Vice de
Eduardo Campos e candidata
à presidente após o acidente
que matou o presidenciável
Avião semelhante ao usado por Eduardo Campos
no momento do acidente
Eduardo Campos era candidato a presidente da república concorrendo pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro) e tendo como candidata a vice presidente Marina Silva. No dia 12 de agosto de 2014, Eduardo Campos estava no Rio de Janeiro sendo entrevistado pelos âncoras do Jornal Nacional da Rede Globo de Televisão. No dia seguinte, Eduardo Campos e sua equipe de campanha saíram do Rio de Janeiro, embarcados em um avião modelo Cessna Citation 560XLS+ de prefixo PR-AFA, em direção a Guarujá, para cumprimento de agenda de campanha. Aproximadamente meia hora depois da decolagem, o avião caiu em uma área residencial da cidade de Santos, matando todos as sete pessoas que estavam dentro, inclusive o presidenciável Eduardo Campos. Sete pessoas que não estavam a bordo ficaram feridas e foram encaminhadas para os hospitais da região. Dentre as principais causas do acidente, estava a má visibilidade no Guarujá, o que fez a aeronave arremeter o voo.
Local do Acidente
Vários países lamentaram a morte do candidato à presidência. Esse acontecimento provocou grandes mudanças no cenário político brasileiro. No lugar do presidenciável, entrou Marina Silva, anteriormente sua candidata a vice e, como novo candidato a vice, entrou Beto Albuquerque. Marina Silva ficou em 3° lugar no primeiro turno das eleições, ficando atrás da candidata do PT, Dilma Rousseff, e do candidato do PSDB, Aécio Neves.










Fotos do local do acidente
Perícia no estudo do caso e na localização dos corpos das vítimas


E A BIOQUÍMICA?
Uma das técnicas de laboratório utilizadas para manuseio do DNA em quantidades escassas, em caso de crimes ou para identificação de corpos (este exemplo se encaixa no caso de Eduardo Campos, visto que depois do acidente e explosão do avião, a identificação do corpo fica extremamente prejudicada) ,é a REAÇÃO EM CADEIA DA POLIMERASE (PCR), que é basicamente o aumento exponencial do DNA sem o uso de organismos vivos. A PCR é uma técnica baseia-se no processo de replicação do DNA que ocorre in vivo. Durante o PCR elevadas temperaturas desnaturam as moléculas de DNA e separam as duas cadeias simples, permitindo então a ligação de primers (oligonucleotídeos iniciadores), também em cadeia simples e geralmente constituídos por 15 a 30 nucleótidos, obtidos por síntese química. Então, os dois pares de primers são acrescentados na reação. Se a determinada sequência estiver presente na amostra, ela será multiplicada milhares de vezes, podendo configurar uma reação positiva.

Mecanismo da Reação em cadeia da polimerase

Mecanismo da PCR. Observe o crescimento exponencial
Termociclador: Instrumento usado para realizar uma PCR



FONTES:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Campos
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2014/08/eduardo-campos-e-entrevistado-no-jornal-nacional.html
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/08/1499718-presidenciavel-eduardo-campos-morre-em-acidente-aereo-em-santos-sp.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_do_Cessna_Citation_560_XLS%2B
http://www.jornalufgonline.ufg.br/pages/30634-reacao-em-cadeia-da-polimerase-pcr

sábado, 11 de outubro de 2014

ISABELLA NARDONI: UM CASO QUE CHOCOU O BRASIL
Isabella Nardoni: garota morta
em 29 de março de 2008


Na noite de 29 de março de 2008, a garota Isabella de Oliveira Nardoni, que na época tinha cinco anos de idade, foi arremessada do sexto andar de um edifício em São Paulo. Durante muito tempo, era quase que obrigatória a vinculação de notícias relacionadas ao caso em todos os telejornais e portais de notícia de cobertura nacional, com informações que definiriam o futuro dos principais envolvidos: Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta de  Isabella Nardoni.







O LOCAL DO CRIME

O caso ocorreu no Edifício London, localizado na rua Santa Leocádia, 138, na Zona Norte de São Paulo. Quando a menina foi encontrada, pelo porteiro do prédio, chegou a ser socorrida pelos bombeiros, mas não resistiu e morreu a caminho do hospital.


Edifício London: Local onde ocorreu a morte de Isabella Nardoni


A VERSÃO DO PAI

Alexandre Nardoni, bacharel em direito, afirmou em depoimento para a polícia o seguinte: O casal estava voltando para seu apartamento. Isabella, filha de Alexandre, e as outras duas crianças filhas do casal, estavam dormindo. Alexandre saiu do carro e subiu para colocar Isabella na cama. Alexandre saiu para ajudar Ana Carolina Jatobá a levar as duas outras crianças, uma com 3 anos e outra com 11 meses. Quando voltou ao apartamento, a tela da janela do quarto dos meio-irmãos de Isabella estava cortada e Isabella estava caída no gramado seis andares abaixo, em frente ao prédio. Alexandre afirma que demorou de 5 a 10 minutos entre as duas idas ao apartamento.

AS INVESTIGAÇÕES

A polícia logo descartou a possibilidade de acidente. Ao se encontrar manchas de sangue no quarto e um buraco na tela da janela de onde Isabella caiu, foi reforçada a possibilidade de homicídio. Depoimentos afirmavam que havia uma "excelente relação" entre a mãe da menina e a família do pai. Mas esses depoimentos se contradiziam com outros, principalmente de vizinhos, que diziam que as brigas entre o casal eram constantes na presença de Isabella. No dia do ocorrido, uma vizinha afirmou ter escutado gritos de socorro vindos de uma criança.
No dia 1° de abril, saíram os primeiros laudos do IML apontando indícios de asfixia antes da queda de Isabella. Outros dois depoimentos falam sobre os gritos de "Para, pai! Para, pai!", mas essas pistas foram descartadas por não encaixarem com a cronologia do ocorrido. De acordo com um delegado que acompanhava o caso, três pontos eram o que menos se encaixavam, uma vez que não havia indícios de arrobamento do apartamento, não havia falta de nenhum pertence do casal e não havia nenhum indício de que algum estranho tivesse adentrado no apartamento. Havia vômito de Isabella na camisa de Alexandre, provavelmente vindo da asfixia por esganadura ou sufocamento.
Havia vestígios de sangue no apartamento do casal, nos quartos, corredor, maçaneta da porta de entrada e no lençol da cama onde Alexandre disse ter colocado Isabella para dormir. Entretanto, uma das provas mais fortes contra o casal é o sangue encontrado no carro da família, que comprovaria que a garota já vinha sendo agredida no caminho para casa. 


O DESFECHO

Depois de muitas discussões e julgamentos, o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram presos por homicídio, no dia em que Isabella Nardoni completaria seis anos de idade.


 E A BIOQUÍMICA?
LUMINOL
Um fator bastante importante no proceder da resolução do caso Isabella Nardoni foram os achados de marcas de sangue, tanto em alguns locais do apartamento do casal quanto no carro de Alexandre Nardoni. Hoje, a perícia e a Medicina Legal encontra marcas de sangue mesmo que o local tenha sido limpo, através do luminol. 
Fórmula química do Luminol
O luminol primeiramente se encontra em forma de pó, e esse pó é misturado com um líquido que contém, dentre várias substâncias, água oxigenada (peróxido de hidrogênio, H2O2) e uma base (OH-). Essa reação produz o efeito da quimioluminescência, caracterizada pela liberação de luz forte o suficiente para ser vista no escuro. Entretanto, a reação do luminol com os outros reagentes é extremamente lenta, e necessita de um catalizador para se processar mais rapidamente. No caso de busca por manchas de sangue em locais suspeitos, o catalisador é o ferro, encontrado na molécula de hemoglobina, a substância que dá a cor vermelha no sangue.
Molécula de Hemoglobina. Observe que na constituição da molécula, existe um átomo de ferro.
Esse átomo é o que cataliza a reação que caracteriza a quimioluminescência do luminol.
Observe que, quando as luzes estão apagadas, o brilho do luminol é bastante
perceptível, indicando os locais onde houve contato com sangue
Dessa forma, pode-se perceber a importância do uso do luminol no caso de busca de evidências que foram mascaradas. Sérgio Pohlmann, perito criminalístico especializado em química legal, do Instituto Geral de Perícias do Rio Grande do Sul (IGP) afirma que "É praticamente impossível alguém limpar o sangue de uma forma que o luminol não consiga identificá-lo". Segundo ele, "em uma pi completamente branca que seja várias vezes lavada com água e sabão, mesmo assim a substância encontrará indícios quando tiver sangue". (http://noticias.terra.com.br/educacao/vocesabia/interna/0,,OI2768337-EI8411,00.html).

REFERÊNCIAS:
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/como-funciona-o-luminol
http://acienciafacil.blogspot.com.br/2012/01/encontrando-vestigios-de-sangue-luminol.html
http://noticias.terra.com.br/educacao/vocesabia/interna/0,,OI2768337-EI8411,00.html
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/08/laudo-dos-eua-diz-que-marcas-em-isabella-nardoni-nao-sao-de-maos.html
http://g1.globo.com/sao-paulo/caso-isabella/index.html
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/fovest/fo2406200805.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Isabella_Nardoni
http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=207515

sábado, 4 de outubro de 2014

JACK, O ESTRIPADOR: UM MISTÉRIO SECULAR

Olá leitores! Iniciando um conjunto de 10 (dez) publicações sobre o assunto BIOQUÍMICA NA MEDICINA FORENSE, o blog "A BIOQUÍMICA NA LUTA CONTRA O CRIME", como postagem de abertura, contará hoje sobre a já famosa história de "Jack, o Estripador" e, posteriormente, fará algumas análises bioquímicas, como será de costume. Boa Leitura!

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Sugestão feita por Naylson Oliveira, estudante de Medicina da 84ª turma de Medicina da UFPI
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Jack, o Estripador: Nome atribuído ao autor de alguns dos crimes mais misteriosos da História

Nenhuma história de serial Killers chama tanto a atenção quanto a de Jack, o Estripador. Recentemente, cientistas informaram ter resolvido esse mistério secular por meio de testes de DNA, uma tecnologia que não estava disponível, tampouco desenvolvida na época. Entretanto, muitas correntes de ideias afirmam que a resposta encontrada não seria a certa pelos métodos e pensamentos utilizados para tal fim. Estria um dos maiores mistérios da humanidade enfim resolvido, ou este é apenas mais um capítulo dessa novela que não parece mais ter fim?

O CONTEXTO

A história de Jack, o Estripador inicia-se em 1888 em Whitechapel, no leste da capital britânica. De abril desse ano a fevereiro de 1901, 11 mulheres, todas, ou a maioria, prostitutas, foram mortas com corte de faca na garganta e, em alguns casos, completamente mutiladas e com alguns órgãos demovidos. Durante o tempo em que vários esforços eram feitos para solucionar o mistério desses assassinatos, todas as mortes dessas prostitutas foram associadas à imagem de Jack, entretanto, os estudiosos dos casos elegem as cinco vítimas mais prováveis, em uma lista conhecida como "canonical five". Essa lista encontra-se abaixo:

AS VÍTIMAS


Mary Ann Nichols (Sexta, 31 de agosto de 1888) 
Annie Chapman (Sábado, 8 de setembro de 1888) 
Elizabeth Stride (Domingo, 30 de setembro de 1888) 
Catharine Eddowes (Domingo, 30 de setembro de 1888, 45 minutos depois) 
Mary Jane Kelly (Sexta, 9 de novembro de 1888) 


Leia agora sobre cada provável vítima de Jack, o Estripador:

- Mary Ann Nichols: Nascida em 1851, mãe de 5 filhos, teve um casamento abreviado para 6 anos por causa de seu alcoolismo e sua relação conturbada com seu marido. De comportamento bastante violento, começa a se prostituir. Às 3h40 do dia 31 de agosto de 1888, foi encontrada morta com sua garganta cortada de orelha à orelha. Não havia marcas sobre as roupas e os objetos pessoais se limitavam a um pente, um espelho quebrado e um lenço.

- Annie Chapman: Às 6h00 da manhã de 8 de setembro de 1888, o morador de uma pensão de Whitechapel encontra o corpo de Annie Chapman com sua cabeça praticamente separada. No local a polícia encontra provas insignificantes. Às 14h00 do mesmo dia, prossegue o interrogatório das testemunhas. Uma mulher diz ter visto Annie Chapman às 5h30 com um homem. Ela afirma ter escutado o desconhecido perguntar: "... e então, está de acordo?" e Annie responder-lhe afirmativamente. O homem era moreno, parecia estrangeiro, e apresentava possuir uns 40 anos. Amelia Farner, amiga e Annie Chapman, conta que, pouco tempo antes de ser morta, ela havia brigado com outra prostituta.

- Elizabeth Stride: Seu corpo foi encontrado no Domingo, 30 de setembro de 1888, em um pátio escuro de Whitechapel. Os estudiosos afirmaram que o assassinato provavelmente foi interrompido, pois a vítima não apresentava mutilações em seu abdome. Também prostituta, era sueca, nascida em 1843.

- Catherine Eddowes: Também foi assassinada no dia 30 de setembro de 1888, dia que ficou conhecido como evento duplo, visto que foram cometidos dois assassinatos separados por instantes. Essa vítima esteve nas mãos da polícia instantes antes de ser morta, pois foi conduzida bêbada por um policial. Catherine havia sido liberada próximo da meia-noite, e nesse intervalo, a vítima Elizabeth Strider havia sido identificada.


- Mary Jane Kelly: Esse é. de longe, o assassinato mais brutal, pois os cortes no pescoço não passavam de meros detalhes. Foi encontrada no dia 9 de novembro de 1888 na cama de um quarto de uma estalagem. A cabeça estava praticamente decepada, o rosto irreconhecível e só se mantiveram intactos os olhos.

AS INVESTIGAÇÕES

As investigações se encontravam em um contexto bastante complicado, uma vez que as técnicas de medicina forense não estavam bem desenvolvidas, Havia bastante falta de material, quando comparado com as condições atuais, e a mídia sensacionalista, com o crescimento exponencial da circulação de tabloides, frequentemente publicava informações falsas ou declarações que dificultavam as investigações.
Outro detalhe é que os assassinatos ocorreram em territórios de duas forças policiais diferentes, a "City of London Police" e a "Metropolitan Police", o que sugeriu que o assassino tivesse organizado isso para dificultar as investigações.

Quadro de alguns dos suspeitos de serem o serial killer "Jack, o Estripador"
Vários suspeitos foram levantados. Como os assassinatos ocorriam frequentemente nos finais de semana, a polícia acreditava que o assassino morava na vizinhança e trabalhava durante a semana. Suspeitou-se também que fosse um médico, visto que o assassino conhecia bastante sobre anatomia, pela forma de como os assassinatos eram praticados. No final, a lista de principais suspeitos, feita pela "Metropolitan Police", ficou assim.

Lista de suspeitos "genuínos" indicada pela Metropolitan Police: 

- Kosminski, um pobre polonês de origem judaica que residia em Whitechapel; 

- Montague John Druitt, 31, advogado e professor que cometeu suicídio em dezembro de 1888; 

- Michael Ostrog, ladrão russo dotado de diversos pseudônimos e preso e detido em asilos em várias ocasiões; 

- Dr. Francis J. Tumblety, 56 anos, tido como um curandeiro americano que foi preso em novembro de 1888 por indecência e fugiu do país após pagar fiança altíssima. 


AS CARTAS
Um ponto alto das investigações são as cartas enviadas para a polícia londrina. Muitas delas eram falsas, mas algumas eram levadas a sério. Algumas eram bastante convencedoras, pois abordavam informações que eram restritas aos policiais e investigadores. Sem dúvida, uma das mais impactantes é a que se encontra abaixo, cujo título é "From hell" (Do inferno).

Tradução: Do inferno/ Mr. Lusk/ Senhor/ Eu envio o rim que peguei de uma mulher. O outro eu fritei e comi e estava bem gostoso. Posso lhe enviar a faca se você esperar mais um pouco./ Assinado/ Prenda-me quando puder, Sr. Lusk. Foi cogitado que essa carta fosse realmente de Jack, o Estripador, pois há a menção de um rim retirado de uma das vítimas,e uma das vítimas realmente estava sem seu rim.

O DESFECHO
Alguns estudiosos afirmam que Jack sofreria de alguma doença sexualmente transmissível. como sífilis (que provavelmente contraiu de uma prostituta), o que lhe fez desenvolver um ódio das "mulheres da vida". Jack nunca foi pego, o que torna a história cada vez mais misteriosa e curiosa, e o que fez perdurar por mais de um século. 

MAIS DE UM SÉCULO DEPOIS...
... a tecnologia havia evoluído bastante, e o ponto chave para isso é o aperfeiçoamento do exame de DNA. Estudiosos e aficionados pelo assunto confirmam o nome de Aaron Kosminski, que oficialmente trabalhava como cabeleireiro, mas que estava desempregado fazia uns anos. A comprovação veio a partir da análise de um xale de uma vítima do assassino, a prostituta Catherine Eddowes. O autor da pesquisa encontrou uma macha de sangue no tecido e combinou essa amostra com uma análise de DNA de descendentes de Eddowes. O xale tinha conexão com Kosminski, pois havia sido confeccionado no leste europeu, local de sua origem.
A descoberta de manchas de sêmen também foi um fator importante. Após rastrear um descendente da família de Kosminski, ficou comprovado com 100% de certeza de que a amostra era de Kosminski, de acordo com o autor. O suspeito havia sido interrogado pela polícia na época, pois seu comportamento havia levantado suspeitas, mas, sem provas, a polícia não pôde fazer nada contra ele. O estado de saúde dele se deteriorou e ele foi internado em instituições para pessoas com distúrbios mentais. Acredita-se que ele morreu aproximadamente aos 53 anos

E A BIOQUÍMICA?

Segmentos de DNA obtidos a partir da técnica de "DNA Eletroforese"
Usaremos o caso de Jack, o Estripador para tratar um pouco da técnica do estudo de DNA conhecida como "DNA eletroforese". O DNA é a molécula que carrega a informação genética que é passada através das gerações, em formato de dupla hélice, composto basicamente de nucleotídeos que se combinam entre si através de ligações fosfodiéster (no caso entre dois nucleotídeos vizinhos na mesma hélice) ou através de pontes de hidrogênio no caso de nucleotídeos em hélices diferentes (sempre a ligção Adenina - Timina, por meio de duas pontes de hidrogênio, e Citosina - Guanina, por meio de três). Cada nucleotídeo contém basicamente uma base nitrogenada (Adenina, Timina, Guanina e Citosina) e um açúcar (pentose) fosfatado.
A identificação humana por DNA tem sido usada como prova de perícia judicial de investigação de paternidade, maternidade e identificação em certos crimes e homicídios. O DNA pode ser isolado de sangue ou sêmen desidratado, ossos, bulbo capilar, saliva, células da pele, esfregaço anal, vaginal e bucal, tecidos derivados de biópsias ou cirurgias, tecidos mumificados, congelados, ou de líquido amniótico. Além disso, é possível coletar DNA de pontas de cigarro, tampa de caneta mordida, chiclete, pentes, selos, e envelopes entre outros.
A partir da década de 1970, ficou mais fácil de analisar a molécula de DNA através do uso das enzimas (ou endonucleases) de restrição. São enzimas que identificam sequências específicas do DNA e as "cortam", catalizando e destruindo a ligação fosfodiéster. Uma das primeiras enzimas de restrição a ser isolada foi a EcoRI, produzida pela bactéria Escherichia coli.Essa enzima reconhece apenas a sequência GAATTC e atua sempre entre o G e o primeiro A. O  local de corte é conhecido como sítio alvo.

Ponto de ação da endonuclease de restrição EcoRI

Os fragmentos de DNA formados com a ação das enzimas de restrição possuem tamanhos diferentes. A técnica de separação dos fragmentos de DNA mais utilizada é a eletroforese através de géis de agarose. A agarose é um polissacarídeo (como ágar e pectina) que dissolve em água fervente e então gelifica quando esfria como a gelatina. Para realizar uma eletroforese, um gel de agarose é preparado, o DNA é introduzido em pequenos poços de gel, e então uma corrente elétrica é aplicada através do gel. Como o DNA é negativamente carregado, ele é atraído pelo eletrodo positivo. Entretanto, para chegar ao eletrodo positivo, o DNA deve migrar através do gel de agarose.

Eletroforese do DNA

Depois da corrida eletroforética, os fragmentos de DNA obtidos são comparados com o material genético do possível pai (em caso de testes de paternidade) ou do criminosos (em caso de crimes como estupro, homicídio, etc...), ou de algum de seus descendentes para que as devidas conclusões sejam tiradas. No caso de Jack, o Estripador, serviu para que sua verdadeira identidade fosse descoberta, ainda que mais de um século depois.



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Esse foi o fim da primeira postagem sobre o tema "Bioquímica na Medicina Forense". Próxima semana, outra postagem para enriquecer mais nossas informações sobre o tema. Até lá!
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Fontes:
http://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2014/09/identidade-de-jack-o-estripador-realmente-foi-descoberta.html
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_fantasma_de_jack_o_estripador.html
http://noticias.terra.com.br/educacao/infograficos/jack-o-estripador/
http://oaprendizverde.com.br/2011/03/25/serial-killers-jack-o-estripador/
http://www.seuhistory.com/noticias/apos-mais-de-um-seculo-identidade-de-jack-o-estripador-e-finalmente-revelada
http://www.conexaojornalismo.com.br/todas-as-noticias/paraiba-vai-criar-banco-de-dados-sobre-estupradores-no-estado-0-12787
http://www.odnavaiaescola.com.br/modulo8.pdf